De olho na engrenagem

Durante a graduação, o estudante, ao buscar um estágio e iniciar sua experiência profissional, vai colher uma lição que não se aprende nas salas de aula. A realidade do dia-a-dia das organizações requer muito mais que o conhecimento técnico adquirido na universidade. Para ser bem-sucedido, é necessário, além desse conhecimento, capacidade de observar, de interpretar e, principalmente, de se adaptar.

Antes de ingressar no mercado de trabalho, é recomendável pesquisar o máximo de informações sobre o funcionamento das organizações e seu conjunto de normas e valores. Buscar identificação com o modelo de gestão da empresa é fundamental para se tornar parte dessa engrenagem. Quando se está em sintonia com esse funcionamento, torna-se mais fácil enfrentar as dificuldades inerentes à rotina de trabalho. É o que chamamos de empatia. Além disso, é preciso saber lidar com as diferenças: por maior que seja essa empatia, sempre haverá pontos de divergência, que exigirão do profissional flexibilidade e adaptabilidade.

E como descobrir se há essa empatia? Uma boa dica é tentar compreender o funcionamento de uma organização, procurar conhecer o seu código de ética — um código de conduta profissional sustentado pelos valores e princípios da organização, previamente definidos — e sua política empresarial, também orientada por esses valores. Nem sempre é possível obter essas informações antes de fazer parte de uma organização, mas isso pode ser feito aos poucos, após a sua chegada, à medida que o profissional se integra.

As políticas empresariais podem variar de organização para organização, mas precisam, inevitavelmente, ter algo em comum: serem claras, pertinentes e praticáveis. De nada adianta ter seu conjunto de valores devidamente sistematizado se ele não sai do papel.

Já que toda organização possui uma engrenagem própria, o estagiário deve, no momento da chegada, entender como o ambiente onde vai trabalhar funciona e, a partir daí, ponderar suas atitudes e ações. Na prática, isso quer dizer que, quanto mais parecidos forem a política de uma corporação e seu código de ética com os valores do novo profissional, mais chances ele tem de se adaptar ao local. É preciso lembrar, porém, que se identificar com esses valores e princípios não significa a ausência total de divergências, mas, sim, a capacidade de lidar com elas.

Ao adentrar no mundo corporativo, prepare-se para lidar com essa realidade e procure afinar-se com a política da empresa. Para isso, tenha sempre em mente: nesse percurso, o seu futuro profissional será construído pelas escolhas feitas a cada dia — desde o início da sua carreira.

CELULARES, ETIQUETA E QUALIDADE DE VIDA

No quesito acessibilidade, os aparelhos celulares têm prestado um imenso serviço à vida profissional. Ninguém pode negar que eles vieram para facilitar e agilizar todas as comunicações, sobretudo aquelas que pertencem ao mundo do trabalho. Ao abolirem distâncias com sua portabilidade, os celulares ganharam dos brasileiros uma adesão total.

Nessa falta de limites é que vêm morando a inabilidade no uso do celular. É como se tudo tivesse se tornado urgente, como se acessibilidade tivesse passado a significar invasão da vida privada a qualquer hora, a qualquer momento.

O uso indevido do celular tem, assim, prejudicado a qualidade de vida. Incomoda-se o outro a pretexto de qualquer coisa, sem uma clara noção de urgência e prioridade. Dessa forma, o imediatismo corrói as relações e despreza uma etiqueta que, curiosamente, ainda sobrevive quando se trata de aparelhos fixos…

CRISE GLOBAL, REVISÃO PESSOAL

A crise financeira global que assola os mercados, como qualquer outra, também pode significar solução e oportunidade. Trata-se de ver o lado positivo, fazendo dela um momento de reflexão e mudança de atitude.

Sem ignorar seu lado negativo, pode-se, sem esforço, tomar a crise como um bom pretexto para se rever, no nível pessoal, a forma de se usar o dinheiro e de se fazer orçamentos. Com isso, serão reduzidos muitos hábitos de consumo completamente dispensáveis. Além do mais, as prioridades — nem sempre vistas com clareza — serão revisadas e ganharão maior nitidez.

Finalmente, essa turbulência, acontecendo neste fim de ano, é um oportuno momento de reflexão e planejamento para 2009. Dessa forma, ninguém chegará ao futuro desprevenido, pois a crise é uma condição para a mudança.

AFINAL, SUSTENTABILIDADE É POSSÍVEL?

Sustentabilidade é uma palavra que já foi incorporada à linguagem das empresas, mas cujo sentido ainda está obscuro para alguns. Ela seria, resumidamente, fruto de um modelo econômico que gerasse riqueza sem prejuízo do social e do ambiental.

Há quem acredite se tratar de utopia. Não é. Sabe-se que não há como abandonar completamente o desenvolvimento econômico em prol da natureza, porém o capital e o meio ambiente devem achar um modo de coexistirem — ou logo ambos inexistirão. O governo tem o papel de mediador, mas as empresas não podem mais se esquivar dessa missão.

Para John Elkington, sociólogo inglês, um bom começo seria as empresas medirem o valor do que produzem em três dimensões: econômica, social e ambiental; isto é, incluindo, no seu conceito de lucro, o retorno positivo para as pessoas e o planeta. Isso não resolve tudo, mas não há jornada que comece sem um primeiro passo.

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